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Coisa de Pai...
    Agosto é mês dos pais. Data essa, convenhamos, que sempre recebeu menos confetes do que o Dia das Mães - o que é uma pena, porque, sem querer jamais desmerecer o valor delas, os pais também merecem uma homenagem com o devido carinho pelo seu dia. Por isso, resolvi fazer também a minha parte, mas como ainda não me sinto à altura de fazer algo grandioso para todos os pais, humildemente então peço licença a todos, e vou escrever sobre o meu.

    Posso dizer que o meu pai foi o grande entusiasta dos meus feitos (não muito grandes, mas super preciosos aos olhos dele).

    Meu pai foi a primeira pessoa que me apresentou às coisas boas da vida. Meu primeiro show de rock eu fui com ele, aos 11 anos (ele adorava, eu aprendi a gostar ali!). E também, foi com ele que pisei a primeira vez num estádio de futebol. O placar: nosso time perdeu feio, feíssimo - uma das derrotas clássicas da história do futebol. Mas não tem problema. Pai é para isso mesmo: para ensinar que as primeiras vezes da gente não são sempre positivas, mas serão sempre memoráveis - e é muito válido que vivamos todo tipo de experiência.

    Sem falar ainda os programas clássicos de pais e filhos, carregados de tanta simplicidade como de significado. Sábado, por exemplo, é sinônimo de ir com ele à feira, que por sua vez é sinônimo de comer pastel com caldo de cana - eu de queijo e ele de carne. Padaria é sinônimo de sorvete, praia é sinônimo de camarão, fim de semana em casa é sinônimo de filme de locadora e pipoca na frente do sofá.

    Teve os momentos difíceis também. Ele me obrigava a comer quatro tipos diferentes de legumes estranhos numa mesma refeição, e eu não podia arredar o pé da mesa até que tivesse comido (ou escondido a comida eficientemente sem que ele tivesse visto. Mas nada se compara aos conflitos, alguns anos mais tarde, na hora de me levar para as festinhas de adolescente - que aconteciam especialmente na hora de me buscar, sempre mais cedo do que eu queria. Além, é claro, das festas que ele não deixou que eu fosse. Algumas hoje eu dou razão a ele, outras não.

    Meu pai estava comigo na hora de comprar meu primeiro carro (com o meu dinheiro), e foi ele que pregou cada prateleira e móvel da minha nova casa. Ele estava na platéia no dia da minha formatura e foi ele que me buscou no aeroporto quando fiz a minha primeira viagem sozinha.

    Às vezes a gente gostaria que o nosso pai fosse menos caladão, e mais expansivo. E a gente se convence que o jeito dele é assim mesmo, e não acreditamos que ele é o maior pai coruja quando está com os amigos dele, e nessas rodas não há filho mais maravilhoso que a gente. Se você é filho, não fique magoado - é que não tem graça se ele te eloiar na sua frente!

    Ser pai é decisivo. É o momento em que um homem efetivamente tem que abrir mão de guiar sua vida e diminuir seu ritmo para começar a guiar a de outra pessoa, bem mais frágil, que vai começar caminhando bem mais devagar - mas que com certeza vai demonstrar com todo amor que adora poder contar com sua presença.

    Por isso, eu gostaria de desejar a vocês um excelente domingo vivendo um verdadeiro programa de pais e filhos. Curtir esses pequenos cotidianos cheios de significados. E, se for o caso de não ter seu pai por perto para viver isso, vale lembrar que "Pai" também quer dizer amigo, protetor, professor, exemplo - ou seja, é um significado que vai muito mais além do que um simples vínculo biológico. Esteja junto daquela figura masculina, que pode ser seu irmão, avô, tio, cunhado, e que seja a companhia ideal para curtir esse dia embalado na vibração gostosa de proteção, carinho e amizade. E principalmente, exercite isso junto com ela. Porque, assim como todos somos filhos, também carregamos conosco o dom - e a missão - de sermos pais para alguém.


Clarissa Nazareth
reticencias@minutodesabedoria.com.br
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