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Detector de sorrisos
    Que no mundo de hoje não falta mais nada para se inventar a gente já sabe. Ainda mais quando se trata de tecnologia, em que a cada segundo são criadas novos programas para câmeras digitais e celulares, a gente sai com uma impressão de que o aparelho que compramos já está obsoleto a partir do momento em que saímos da loja.

    Eu, que não sou muito íntima dessas tecnologias, de vez em quando tenho que recorrer a alguns amigos moderninhos para aprender os macetes e conhecer as novidades que, em segundos, se tornarão indispensáveis na minha vida. E numa dessas oportunidades, um deles estava me mostrando a sua câmera digital nova. O bacana dela era uma função chamada "smile shooter" que em português seria algo como "Disparo de sorrisos". Ou seja, uma vez configurada, a máquina só tira fotos quando a pessoa em foco estiver sorrindo.

    Achei a idéia interessante. Primeiro, por causa da tecnologia em si: fazer uma máquina detectar sorrisos! E, segundo, pelo resultado das fotos. Se uma pessoa for surpreendida pela câmera em meio a uma deliciosa gargalhada, dessas gostosas de fazer a barriga doer e de aliviar o coração, a câmera vai batendo fotos incessantemente, até a pessoa parar de rir ou a bateria esgotar. Quanto mais sorrisos, mais fotos! É quase um Big Brother, só que melhorado: ignora as baixarias e brigas, e só se restringe a registrar as alegrias dos nossos momentos.

    Isso me fez refletir sobre quantas fotos eu teria nos meus álbuns se minha vida tivesse uma câmera dessas permanentemente apontada sobre mim, reconhecendo e gravando somente meus momentos de alegria genuína. E constatei que, embora eu teria uma quantidade considerável de fotos, ainda teria bem menos do que eu gostaria. Foi assustador, eu confesso, reconhecer isso! É como se eu revisse todos os meus momentos ranzinzas e cinzentos e mensurasse quantas fotos preciosas e únicas eu estava perdendo, gastando a bateria da câmera da minha vida, com seu módulo "smile shooter" acionado ali, pra mim, apontada e a postos - para nada.

    Imagino como deve ser chegar lá do lado de lá, no fim da vida, e ao rever nosso "álbum de fotos" nos depararmos com um bem fininho... Que frustrante...!

    Por isso, estou procurando sorrir mais. Ainda mais. Sorrir ao dizer "bom dia" e "boa tarde". Sorrir ao dizer "obrigada". Sorrir ao dizer "oi" e ao dizer "tchau". E, principalmente, a realmente querer sorrir ao fazer isso tudo. Porque acho que só assim é que faz o sorriso ser de verdade. E espero que, ao fazer minha próxima reflexão de vida, eu encontre - também sorrindo - o meu álbum de fotos bem mais recheado.


Clarissa Nazareth
reticencias@minutodesabedoria.com.br
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